Inteligência Coletiva — a era da participação

By Larissa Tietjen

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      Foto: Diorgenes Pandini   

     Participei, na semana passada, da aula inaugural organizada pelos acadêmicos de RP da Univali. O evento — digno de elogios pela competência e envolvimento dos alunos e professores — contou com a presença da Relações Públicas Carolina Terra, autora do livro Blogs Corporativos, modismo ou tendência?, que palestrou (ouça aqui) sobre o tema da sua recém-lançada obra e fez uma breve sessão de autógrafos no final da noite.

     Não foi difícil prender a atenção dos acadêmicos de Jornalismo, PP e RP que lotaram o auditório. Tratar dos blogs — a partir do momento que o termo web 2.0 entrou na conversa dos futuros (e atuais!) profissionais de comunicação — é importante para se fazer entender todo um processo de mudança e evolução de conceitos pré-estabelecidos, enraizados nas maneiras de lidar e pensar a comunicação entre nós, que ‘produzimos’ informações (jornalísticas ou marqueteiras) e os espectadores-clientes que as ‘consomem’.

     A primeira parte da sua fala se dirigiu não só à construção de blogs corporativos, mas ao cenário da comunicação atual, tendo em vista os avanços tecnológicos da web e a mudança de comportamento dos seus usuários. O que pude perceber é que, hoje, o poder de escolha está nas mãos daqueles que navegam pela internet na busca por informação. O usuário constrói a sua leitura. Há uma teia de caminhos, links e mídias que, por fim, constroem a opinião, a visão, as impressões do internauta sobre determinado assunto.

     O discurso segmentado, que nutre de conhecimento todo e qualquer estilo-pensamento-interesses das pessoas, por meio de blogs e portais ‘moderninhos’, mergulha no princípio de comunicação associativa, com intensa produção de conteúdo, participação e colaboração — geradas pelo próprio ‘consumidor’. Tanto é que a revista Times elegeu como personalidade do ano VOCÊ. É, caro leitor, você, eu, o vizinho, aquele amigo do msn…Estamos na era de expressão das individualidades. Então, aproveite!

     Outro ponto que sobressai, já que “o usuário virou mídia” é a possível comunicação direta, sem viés ideológico ou editorial — estampado-camuflado nos veículos do monopólio midiático.

     Num segundo momento, agora tratando dos ‘diários’ corporativos, Carolina Terra mostrou alguns trabalhos que ganham destaque neste novo cenário comunicacional. São ferramentas desenvolvidas pelas empresas que visam potencializar as suas relações com os clientes. Blogs atualizados constantemente, com uma linguagem diferente dos portais destas organizações e que possibilitam a interação com os leitores, por meio dos famosos comentários. A proposta é interessante. Porém, uma pergunta ficou no ar: existe a livre e verdadeira interatividade nos blogs corporativos? Sinceramente, acredito que não. O que vejo é uma falsa-impressão desta ‘troca-instantânea-e-super-legal’ entre o vendedor e o cliente. Talvez eu esteja equivocada, pois a implantação destes blogs acontece de forma tímida no Brasil. E você, o que pensa sobre o assunto?

7 Respostas para “Inteligência Coletiva — a era da participação”

  1. marina Diz:

    eu acho que podem ser verdadeiros, sim. há muitas empresas que conseguem aliar a opinião pública e do público com assuntos relacionados a sua área. mas esse assunto é que nem assessoria de imprensa, cada um vê de um jeito… :)

  2. Carol Terra Diz:

    Olá! Muito bacana a sua cobertura do evento! Fico feliz que tenha resumido e pego o “espírito” da palestra. O que me chama a atenção nos blogs corporativos e nas demais ferramentas de comunicação digital é a interatividade que permitem, o dinamismo da comunicação, a agilidade do processo e, principalmente, a colaboração de quem quiser participar. Por isso e sobretudo por este último fato é que acredito na real interatividade dos blogs: POIS, PARTICIPA QUEM QUER! O usuário escolhe onde quer ser apenas espectador e onde quer ser agente/ator! Abraços!

  3. Felipe Diz:

    Olha, eu tbm não acredito nessa interatividade. Não porque não pode acontecer, mas porque vai depender do usuário. Será que realmente interessa ao internauta interagir com uma empresa? Claro, levo muito em consideração o que eu faço. Eu leio o que me interessa, e passo pra outra coisa.
    Enfim.

  4. Felipe Diz:

    aah. e a palestra foi boa.

  5. Victor Bini de Bona Diz:

    Eu também acredito que não existe interatividade. Mas, além de tudo isso que você citou da palestra, o que ainda me deixou com vontade de perguntar a Carol Terra, foi o que sua empresa está fazendo para melhorar, já que a empresa dela figura o topo daquele site reclameaqui ou algo assim o nome do site.
    Mas, como isso não tinha nada a ver com a palestra, preferi não perguntar. Mesmo sabendo que o cliente está interagindo através desse site, e pelo jeito não está tendo resultado, já que a empresa está lá ainda.

  6. Mauro Diz:

    Verdade, eu também não concordo. A parte de “fale conosco” dos sites de empresas, até de grandes empresas, acabam que não funcionam nunca. Será que essa interatividade vai acontecer? Acho difícil.

  7. Fábio Albuquerque Diz:

    Parabéns pelo blog e também pela excelente postagem.
    Quanto ao assunto em discussão, acredito na força das redes sociais enquanto ferramenta estratégica de comunicação à serviço das empresas. Como argumenta a própria Carol Terra, os blogs corporativos permitem diminuir esta lacuna do “fale conosco” existente nos websites corporativos e abrir espaço para o contato, a interatividade e o relacionamento com clientes e consumidores, pemitindo a participação e a colaboração no processo de troca, onde “o usuário escolhe onde quer ser apenas espectador e onde quer ser agente/ator!”.
    Pelos últimos depoimentos acima, percebo que o “locus” de observação está sendo a ótica do usuário. Seria importante também observar esta discussão pela lógica das empresas e dos negócios.

    Um abraço a todos.

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