As aulas que tive no curso de Jornalismo Cultural promovido pelo Espaço Cult foram de intenso aprendizado. Dois dias absorvendo conteúdo por todos os poros. Muita concentração para não perder um minuto das horas de fala dos ‘caras’. O clima informal permitiu que a gente conversasse bastante, não só ficasse lá reverenciando os editores-chefes-críticos-repórteres com anos de experiência transbordando nas palavras. Além disso, a turma ‘colaborou’, pois éramos em pouco mais de 10 ou 12 pessoas — ‘eles’ estavam lá, para a gente usar e abusar. Tudo isso aconteceu há mais de um mês, mas a digestão do assunto na minha mente ainda não terminou.
Para começar, o editor chefe de cultura da revista Veja, Graieb, teve uma conversa séria, descontraída e reflexiva sobre os critérios para ser um bom jornalista cultural e, depois, sobre a escolha das pautas na publicação onde atua. Anotei muuuita coisa e várias fichas ‘caíram’. Ele deu toques importantes para que tudo funcione na prática. Não adianta ficar sonhando em mudar o mundo e achar que o seu texto e repertório são os melhores, mais rebuscados e interessantes. A moeda de troca é publicar. Falou sobre cobertura, estilo e entre outros tópicos, abriu nossa cabeça sobre o conceito de cultura. E, tenho que admitir, foi uma graaande sacada na minha vida jornalística. Já era finalzinho da noite quando começaram os questionamentos sobre a Veja. Deu até um friozinho na barriga, porque ele foi extremamente sincero sobre o posicionamento, público alvo, escolha de pautas e tom da revista. Tudo muito claro. Todos os estudantes de jornalismo — que amam ou odeiam a publicação— deveriam ter essa experiência, no mínimo, polêmica e curiosa.
No dia seguinte foi a vez do Zanin, editor chefe de cultura do Estadão, abrir a maratona de aprendizado. Ele deu uma aaaaula sobre a história dos suplementos culturais na imprensa brasileira. Falou sobre os grandes nomes do jornalismo cultural, explicou as mudanças políticas-sociais-culturais de cada geração e paralelo à isso explicava sobre esse movimento dentro d´O Estado de São Paulo e dos ‘concorrentes’. Levou exemplares de jornais, falou sobre estrutura de texto, disposição de páginas, relevância dos assuntos abordados e os rótulos culturais de cada época. Fez uma longa e interessante fala sobre critérios de seleção e construção de textos (levando em consideração os leitores) que devemos levar a sério hoje. Lembrou a importância do planejamento e a capacidade de improvisação e reforçou que devemos, acima de tudo, ser éticos, identificar e lutar contra os nossos preconceitos. Zanin entrou sisudo e saiu nosso ‘brother’, gostei dele! Passou-me segurança. E, pelo visto, ele gostou da gente também! Rolou até um troca-troca de emails.
E, antes do almoço (mas já estávamos desmaiando de fome, haha!), Sérgio Martins, crítico musical que atua hoje na Veja, assumiu a fala.
Continua…
Setembro 18, 2008 ás 1:15 am |
Fodástico isso. Quero saber mais, poste mais e se puder dar dicas práticas para mim também ia ser ótimo.
Saudades dessas coisas e das anotaçoes organizadas que você faz.
Setembro 22, 2008 ás 10:32 am |
Eu sou a favor de uma nova postagem!