Anunciada ontem, a lista de vencedores do Prêmio Pulitzer me deixou com uma pulga atrás da orelha. Os trabalhos são belíssimos, dignos da premiação e reconhecimento. Fato. Textos inteligentes, bem apurados, leves, sensíveis e com redação impecável. Exemplos.
Aqui você confere a lista completa dos winners e aqui, você que não está com o inglês afiado, pode ler trechos dos respectivos trabalhos publicados na Folha Online. Se você for como eu, vai ler e já no primeiro parágrafo do primeiro texto vai pensar “Puta merda! Eu adoro escrever assim, mas é tão difícil (e se depender se certos editores impossível) encaixar essa prática onde trabalho+estudo. Até desanima!”.
Agora eu levanto uma questão para refletirmos juntos: nós jornalistas brasileiros que caímos na armadilha do hard news americano no século passado, ainda não temos capacidade de se desprender desse jeito quase enlatado e provinciano de escrever e lecionar o jornalismo?
Pelo menos é (só!) isso que me ensinaram nestes três anos e meio de graduação que passaram voando e, certamente, nos dois próximos semestres não será tão diferente. Um pouco, talvez, com o terror que é a aula de Jornalismo Literário — e a produção de um livro reportagem sanguinário. Quase uma sessão de terapia reversa, que faz a gente se sentir um lixo-repórterzinho. Com todo respeito e admiração que tenho pelo professor dessa disciplina, acho que deveriam ser trabalhos textos ‘palpáveis’ e acessíveis a nossa realidade. Não somente os (perfeitos e incontestáveis) autores como João do Rio ou Capote. E aquele pápápá de ‘quem faz a faculdade é o próprio aluno’ nem vem ao caso, porque basta olhar as minhas notas todas acima da média para pensar que estou super satisfeita e pronta pro mercado. Não.
Por isso falei no meu profile do twitter que encontrar trabalhos lapidados como os do Pulitzer no Grupo RBS, por exemplo, o “sonho de consumo” dos estudantes catarinenses à lá Univali, é impossível. Eles fazem um trabalho limitado, repetitivo, pirâmide intertida e, ainda por cima, erram! Nessas horas, sinto falta do AN antes da incorporação ao grupo, que vez ou outra publicava textos excelentes. Aliás, até desisti de acompanhar o jornalismo impresso catarinense, pobre e fraco, na minha visão. Fico com as rádios. Um ou outra se dá o trabalho de apurar coisas diferenciadas do que saiu no Santa, AN, DC, Diarinho e afins.
Talvez um dos maiores problemas seja exatamente o período que passamos estudando para ter o diploma de Jornalistas. Há momentos que você aumenta o potencial criativo e de conhecimento técnico e teórico consideravelmente. Enxerga o fazer-jornalismo com maturidade. Cresce, respira, escreve e apura como ninguém. Já noutros, se vê desesperado tendo que cumprir os créditos de disciplinas com ementas desatualizadas, professores despreparados e pior ainda, meia dúzia de gente reclama e fica por aquilo mesmo. Céus! É broxante. Quantas horas perdidas, quantas oportunidades deixadas para trás…
Me sinto parada no tempo dentro da universidade. Não são discutidos temas atuais, abordagens dos jornais diários, deixas e interpretações feitas pelos jornalistas. Nada! Ou é um trabalho ‘burocrático’, ou algo desinteressante. Sem falar nas histórias e estórias de vida que somos obrigados a ouvir.
Vivo o jornalismo (aquele que eu quero!) na rotina, nos estudos extra-classe. É mais difícil, porque vou aos trancos e barrancos correndo atrás de ferramentas/leituras/aprendizagens que me façam sentir força para continuar assim. E por isso, aposto um picolé-de-coco que o Pulitzer de 2009 passará batido em qualquer uma das aulas da graduação. Mal sabem (professores e alunos) que saímos todos perdendo.
Abril 21, 2009 ás 9:20 pm |
Ai cherrie, vamos combinar que se existe alguém capaz dentro dessa faculdade miserenta é você. Você já é jornalista, dispensamos o canudo. O fim do curso só significa que não precisarás mais pisar na univali. Nada além disso.
Abril 22, 2009 ás 8:31 am |
Bom, pelo texto, jah dah p perceber q vc tah sobrando, Titchen. Obrigado pelo link, eh bom saber q tem gente na facul tentando nivelar por cima. Boa sorte!
Abril 23, 2009 ás 8:43 am |
Se existe um lado burro na Larissa, esse lado sou eu.
A hora que ela ver escrito o sobrenome dela desse jeito “titchen”, vai dar um pulo da cadeira. hahaha
Abril 23, 2009 ás 10:14 am |
Hahaha! Não dei pulo da cadeira não. É o jeito ‘carinhoso’ que todo mundo lá na Rádio Univali me chama, beibe.
Abril 26, 2009 ás 1:34 am |
Vou imprimir esse texto e ler lá no bloco 12.